La Isla é um vídeo-musical produzido em fevereiro pela artista plástica mexicana Ximena Castro. É um manifesto em defesa do povo cubano e de todos os povos contra as agressões imperialistas. A sua produção artística pode ser acompanhada no Instagram (@ximenacastromx) e no site (ximenacastro.com). Ximena envolve de maneira singular artes visuais e experimentação sonora, integrando uma série de projetos interdisciplinares nos quais, a partir de seus desenhos e pinturas, desenvolve suas composições musicais que expandem a imagem para o campo da voz, da palavra e do testemunho político.
Seus projetos transitam entre canção de protesto, palavra falada e sonoridades políticas contemporâneas, abordando temas particularmente sensíveis à experiência latino-americana: imigração, imperialismo, memória histórica, identidade e soberania. Trata-se de uma produção que emerge do entrecruzamento entre estética e política, corpo e território, intimidade e geopolítica.
Sobre La Isla, vídeo que compartilho neste site, a própria Ximena nos diz: “Esta é uma canção sobre pressão econômica, soberania e dignidade. Fala de conflitos que nem sempre aparecem em títulos com imagens de explosões, mas que impactam a vida cotidiana de milhões de pessoas durante décadas. É uma reflexão sobre sanções econômicas, isolamento internacional e as consequências humanas das decisões geopolíticas. Não nasce desde um governo nem desde uma ideologia. Nasce desde uma pergunta ética: Em que momento uma medida política deixa de ser diplomática e começa a converter-se em asfixia?”.
Como a artista apresenta em seu site: “As letras são desenvolvidas em resposta a imagens preexistentes, expandindo cada projeto para um diálogo interdisciplinar entre voz e testemunho visual”[1]. A música, assim, não surge como mera trilha ou ilustração, mas como extensão crítica da imagem – uma segunda camada narrativa que tensiona e amplia seu significado.
A partir dessa reflexão, a obra expressa e se mistura com as milhões de indignações e resistências que atravessam a América Latina, as Américas e todos os povos submetidos (mas resistindo) ao genocídio, bloqueios, sanções e outras formas contemporâneas de assassinatos e dominação imperial. A questão da soberania e da autodeterminação dos povos surge como eixo ético e político central, contrapondo-se à opressão imperialista estadunidense e a todas formas de imperialismo que marcam nosso tempo – venezuelanos, cubanos, iranianos, palestinos, ucranianos e tantos outros povos agredidos pela voracidade imperialista que incide diretamente sobre suas vidas.
Em seus projetos artísticos entrecruzados às nossas aflições e angústias condensa-se a imersão na feminilidade que a inscreve em um movimento de mulheres mexicanas que pintam e desenham a si mesmas, e que também pintam e desenham outras mulheres[2]. A reinterpretação da nudez, da sensualidade e do erotismo nos corpos femininos emerge a partir da perspectiva de outras mulheres, e não do olhar masculino. A visão que as mulheres têm de seus próprios corpos e dos corpos de outras mulheres na arte está longe do olhar masculino: envolve elementos diferentes, mais emocionais, mais profundos, sublimes e aterradores. Desloca o corpo da lógica tradicional masculina e o reinscreve como território de subjetividade, memória e potência simbólica. Nesse sentido, sua trajetória dialoga com gerações de mulheres mexicanas que se pintam e desenham a si mesmas e a outras mulheres procurando afirmar sua autonomia estética e política.
Sobre a artista
Ximena Castro é artista visual, cozinheira mexicana e criadora interdisciplinar. Sua produção articula pintura, desenho e experimentação musical. Ela mantém presença ativa em plataformas digitais e portfólios profissionais, onde desenvolve muitos de seus trabalhos e apresenta suas reflexões estéticas e políticas.
Site oficial:
Instagram:
https://www.instagram.com/ximenacastromx/
Facebook:
https://www.facebook.com/ximenacastromx/
Spotify:
https://open.spotify.com/intl-pt/artist/1qplRaijcnthCDM7veLN28
Notas
1] Ximena Castro, Projetos musicais, https://www.ximenacastro.com/s-projects-side-by-side
[2] Ximena Castro, Quem sou, https://www.ximenacastro.com/copia-de-quien-soy


