A arrogância imperialista de Trump não cessa. No final de novembro disse: “todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor considerem o fechamento completo do espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela. Obrigado pela atenção a este assunto!”. Uma nítida agressão à soberania venezuelana. Na mesma semana outra esdrúxula afirmação: “Quase paramos (o narcotráfico). Cerca de 85% do trânsito por via marítima foi interrompido”, disse em videochamada para as tropas americanas, acrescentando “vamos começar a pará-los por terra também… isso vai começar muito em breve”[1].
As absurdas afirmações foram feitas após a recente conversa entre Trump e Maduro, ocorrida possivelmente no dia 21 de novembro[2]. As informações iniciais diziam que, entre os pontos tratados, foi aventado um encontro entre os dois presidentes nos Estados Unidos. Um dos presentes no momento da ligação telefônica foi o secretário de Estado Marco Rubio, principal articulador da deposição imediata de Maduro. Posteriormente circularam outras informações sobre a conversa telefônica[3]. O presidente estadunidense “concedia” ao venezuelano e sua família condições para irem para onde quisessem. No entanto, Maduro teria pedido a completa anistia, com a remoção das sanções estadunidenses e o fim de processo em curso no Tribunal Penal Internacional (TPI), e duas outras condições: a) Delcy Rodríguez, vice-presidente do país, assumiria o governo interino e o processo de transição política; b) seriam suspensas as sanções estadunidenses contra 100 funcionários do governo.
Na ocasião, Trump teria negado tal acordo e exigido a retirada de Maduro do governo, até o dia 28 último. Não cumprida a exigência, daí a arrogância trumpista sobre o fechamento do espaço aéreo venezuelano.
Diante de tal cenário, é difícil prever quais os desdobramentos políticos e militares na Venezuela e região. Três hipóteses centrais se apresentam: intervenção militar dos EUA (aérea e/ou terrestre); cisões internas no regime político e eventual substituição de Nicolás Maduro; e/ou negociação que leve a um pacto de transição política do atual regime sem Maduro). Hipóteses essas que, inclusive, entre si não se excluem.
Independentemente da hipótese que se concretize, todas elas se estruturam a partir da lógica imperialista. Nenhuma dessas posições, certamente, aliviará a dramática condição de vida dos trabalhadores e do povo venezuelano, porque elas representam ainda mais entreguismo para o imperialismo.
O que se evidencia, também, é uma lógica abertamente hostil da geopolítica estadunidense em relação aos países latino-americanos. Os recentes acordos comerciais com El Salvador, Honduras, Equador e Argentina indicam isso. Os exercícios militares de soldados dos EUA e cessões de bases militares em Panamá, Republica Dominicana e Trinidad y Tobago reforçam ainda mais a afirmação.
No caso venezuelano, os interesses imperialistas estadunidenses pressionam para a queda de Nicolás Maduro para assegurar a posse total da renda petrolífera e da vantajosa mineração (inclusive ilegal) do ouro, utilizando para isso a pressão político-militar. No entanto, na cúpula trumpista duas posições sobre a Venezuela, aparentemente, se confrontam. Uma, de caráter claramente intervencionista, liderada por figuras como Marco Rubio e Pete Hegseth, defende a substituição de Maduro, se necessário por meio de ação militar direta. A outra, de perfil “negociador”, foi articulada desde janeiro por Richard Grenell, “enviado especial” de Trump que propunha uma transição pactuada, ampliando ao máximo os contratos de exploração e evitando o fortalecimento dos interesses chineses e russos na região.
Trump, aparentemente, oscila entre as duas posições, conforme as pressões na cúpula trumpista que refletem o lobby petrolífero, a burguesia venezuelana-cubano-americana e os setores do complexo industrial-militar. Essa ambiguidade reproduz um padrão histórico da política externa estadunidense na América Latina: alternância entre agressividade militar e pragmatismo econômico.
A oscilação no interior do trumpismo, especialmente quanto à possibilidade de invasão militar, é o foco central neste artigo. A ideia principal é a seguinte: uma invasão da Venezuela não se apresenta como “um passeio no parque”, nem como um acontecimento inevitável. Pelo contrário, como analistas imperialistas de algumas think tanks caracterizam, envolveria riscos políticos consideráveis e desdobramentos políticos imprevisíveis, não somente na Venezuela, como também na região e na política interna estadunidense.
A partir dessa síntese introdutória, desenvolvo a análise considerando a oscilação entre essas duas vertentes no interior do trumpismo, revelando as dinâmicas que guiam as ações estratégicas estadunidenses na Venezuela. Compreendo que as suas contradições se apresentam nesse episódio. Longe de ser uma perspectiva monolítica, abriga tensões internas profundas, cujo desdobramento pode moldar a geopolítica regional quanto as articulações de poder no interior do próprio sistema político estadunidense.
As posições no trumpismo sobre a Venezuela
As mídias hegemônicas imperialistas internacionais, nos últimos meses evidenciaram a militarização das águas caribenhas, com ataques letais dos EUA a pequenas embarcações venezuelanas e colombianas. As ações militares baseiam-se em supostas e infundadas denúncias de atividades ligadas ao narcotráfico. Também se apoiam nas repetidas acusações trumpistas sobre a suposta associação entre Maduro e seu regime político aos cartéis de drogas regionais, os quais, a partir de fevereiro, foram classificados como “organizações terroristas estrangeiras” envolvidas com “governos estrangeiros antagônicos”, “insurgência e guerra assimétrica” e “infiltração em governos estrangeiros”[4].
Enquanto o clima de tensão aumentava na região, nos bastidores ocorreram (e voltaram a ocorrer) movimentos contraditórios. Em meio à militarização do Caribe, assessores de Maduro mantiveram (e recentemente voltaram a manter) tratativas secretas com enviado estadunidense, Richard Grenell. Grenell, que se descreve em tom provocativo como um “negociador f.d.p.”, atua fora dos canais diplomáticos tradicionais, representando interesses ligados principalmente aos setores petrolíferos e da mineração. Nas conversas conseguiu a troca de prisioneiros americanos ligados à espionagem por prisioneiros venezuelanos e obteve a permissão estadunidense para que a Chevron retomasse suas atividades naquele país. Pressionado pelo cerco naval, o presidente venezuelano teria proposto ampliar concessões em projetos de petróleo e ouro, realizar contratos preferenciais com empresas estadunidenses, além de redirecionar parte das exportações de petróleo da China para os EUA. De quebra, Maduro teria sinalizado o rompimento de contratos com empresas chinesas, iranianas e russas[5].
Essas informações foram reveladas por jornal estadunidense e não foram contestadas nem pelo Governo Trump nem por Nicolás Maduro. Ou seja, segundo as informações vazadas, o objetivo era obter o máximo de concessões nos recursos naturais venezuelanos, embora mantendo o regime político com Maduro em sua direção, descartando os interesses chineses e outros.
No entanto, mesmo diante dessas concessões, no início de outubro Trump decidiu romper as tratativas em curso, porque Maduro não teria aceitado uma das suas exigências: renunciar ao poder. O cenário caribenho e colombiano continuou com crescentes agressões militares.
A estratégia conduzida por Grenell, inicialmente, considerava a possibilidade de aprofundamento das concessões de riquezas estratégicas da Venezuela, embora mantendo o regime político e seu chefe, em um processo de transição política mais lento e pactuado.
O setor trumpista que Marco Rubio expressa, inicialmente parecia que havia passado por cima dos acordos secretos de Grenell. Rubio teria convencido Trump a endurecer[6]. A campanha para intensificar a pressão militar, liderada Rubio, argumenta que Maduro é um líder ilegítimo responsável pela exportação de drogas para os Estados Unidos. Então, o que passou a prevalecer, pelo menos até recentemente, foi a estratégia de deposição de Maduro e seus aliados, e acabar com o atual regime político. Em lugar do atual regime político venezuelano, a oposição venezuelana pró-Trump assumiria o governo e manteria o projeto entreguista que o próprio Maduro já vinha negociando. O diretor da CIA, John Ratcliffe, e Stephen Miller, principal conselheiro de política interna de Trump, apoiam essa abordagem.
Essa guinada intervencionista contou também com o fortalecimento da atuação do Escritório de Serviços Estratégicos (CIA). O seu novo diretor, John Ratcliffe, assumiu o cargo em 15 de janeiro, e prometeu uma Instituição mais agressiva. Apenas como ilustração, vale lembrar que na audiência no Senado americano, ele afirmou que tornaria a CIA mais disposta a conduzir ações secretas quando ordenadas por Trump. Notem a afirmação do “cão de guarda”: “indo a lugares que ninguém mais pode ir e fazendo coisas que ninguém mais pode fazer” [7]. Ainda para Ratcliffe, o recruta ideal da CIA seria um “Ph.D. que pudesse vencer uma briga de bar”. Outra pérola: “Esse sentimento é a essência do que a CIA de hoje deve recapturar”. Ou seja, um retorno ao que a Instituição foi e fez, dentro do Make America Great Again (Fazer a América Grande Novamente).
Com uma CIA “renovada”, em meados de outubro Trump teria autorizado à Agência a intensificar ações em terra no território venezuelano: “certamente estamos olhando para a terra agora, porque temos o mar muito bem controlado”, disse. Seria uma permissão para conduzir operações letais no país e uma série de operações no Caribe [8]. Além dessa ameaça, ainda em outubro, Trump disse que notificaria o Congresso sobre suas intenções de bombardear alvos venezuelanos. Tais ações poderiam incluir ataques a alvos terrestres supostamente ligados ao tráfico de drogas, mas também instalações que estivessem ligadas ao Cartel de los Soles.
Cartel de los Soles, a partir de final de novembro, passou também a ser classificada como “organização terrorista internacional”, até então designada como organização narcotraficante internacional. O que implica tal designação no aspecto imediato? Significa mais pressão midiática contra Maduro e a cúpula venezuelana, uma vez que reafirma que o líder venezuelano é o chefe dessa organização. Fora isso, Trump ganha tempo para ver de fato o que daí possa ser feito. Enquanto isso, já são sinalizadas possíveis retomadas de negociação: Maduro dizendo que sai nos próximos dois anos; Trump sugerindo que pode até conversar com Maduro.
Como sintetizaram dois analistas de thing thanks imperialistas: “Durante o primeiro semestre de 2025, os negociadores levaram a melhor: Grenell se reuniu com Maduro e fechou acordos para abrir os vastos setores de petróleo e minerais da Venezuela a empresas americanas em troca de reformas econômicas e da libertação de presos políticos. Mas, em meados de julho, Rubio retomou a iniciativa ao reformular os objetivos. Depor Maduro, argumentou ele, não se tratava mais apenas de promover a democracia – era uma questão de segurança nacional. Ele reformulou a imagem do líder venezuelano como um chefão do narcoterrorismo que alimenta a crise das drogas e a imigração ilegal nos Estados Unidos, ligando-o à gangue Tren de Aragua e afirmando que a Venezuela agora é ‘governada por uma organização de narcotráfico que se fortaleceu como um Estado-nação” [9].
Mas o que parece limitar essas análises que inundam as mídias internacionais é o seu enfoque unilateral, como se de fato ocorresse uma disputa de fundo na cúpula trumpista. Se essas duas estratégias entram em choque, no entanto, elas se complementam nas definições e ações trumpistas: ameaças e acordos. É o que vimos na retomada das conversas entre EUA e Maduro. Em final de novembro já circulavam informações que as “negociações” haviam sido retomadas [10], em meio às execuções sumárias (assassinatos) das tripulações das embarcações venezuelanas e colombianas. Por outro lado, em complementar posição, o líder venezuelano tenta de todas as maneiras buscar um “acordo”; longe de uma relação antagônica visceral, o que está acontecendo é uma tentativa venezuelana de “aparar as diferenças”, para se preservar no poder. No entanto, isso está se tornando cada dia mais improvável. A enorme ação militar trumpista no Caribe exige agora um retorno, um resultado, para a base social e política trumpista nos EUA. Caso contrário se tornará um desastre para Trump.
A alternativa de “negociação” não saiu de cena, pelo contrário, talvez esteja se fortalecendo, mas com novos nuances. Não mais como Richard Grenell negociava, onde Maduro se manteria preservado. Agora talvez o que se abre como novo elemento na negociação é a saída de Maduro sem ameaçá-lo posteriormente. Tal fato, não indicou recuo de Trump, apenas mostrou que ele se utiliza de pressões militares e de pressões “diplomáticas” nesse processo. Tais pressões parecem que estão afetando Maduro, uma vez que ele percebe que seus espaços para negociação hoje estão diminutos. Voltou a negociar sem que os ataques à “soberania nacional” tivessem cessado: sobrevoos em território venezuelano, assassinatos de tripulações venezuelanas, e associação de Maduro e seu regime às redes de “narcoterrorismo”.
Essas estratégias de pressão e negociação, longe de expressarem contradições irreconciliáveis, operam como as duas patas da política imperialista: “flexível” nos métodos, em meio às execuções sumárias de tripulações, mas intransigente no objetivo de controle total sobre os recursos venezuelanos.
As narrativas de “narcoterrorismo” justificam a militarização… mas até aonde Trump pode ir para depor Maduro?
O que são as ameaças de Trump e seus assessores diretos? São simples ameaças discursivas ou narrativas que se articulam às práticas militares que se concretizarão em solo venezuelano?
O que estamos acompanhando é real: crescente militarização regional, ataques e assassinatos, como também sobrevoos, nas águas do Caribe e Pacífico, inclusive em território venezuelano e colombiano. Trump sugere que irá atacar alvos terrestres. Diz que os ataques às pequenas embarcações desviaram o contrabando de drogas para rotas terrestres. Acrescentou que seu governo “provavelmente retornaria ao Congresso e explicaria exatamente o que estamos fazendo”, antes de lançar esses ataques, mas ressalta que precisa da permissão do Congresso para agir. “Vamos atacá-los com muita força quando vierem por terra”, disse Trump sobre aqueles que seu governo acusa de tráfico de drogas. “Eles ainda não passaram por isso, mas agora estamos totalmente preparados para isso” [11].
A estratégia trumpista é a mudança do regime político venezuelano. Esses objetivos não são de hoje. Durante a campanha eleitoral de Trump, o tema da Venezuela foi tratado inúmeras vezes e ele já estabelecia a relação entre Maduro e as redes de narcotráfico. Aliás esse mote já o orientava em seu primeiro mandato. Foram diversas as tentativas, desde o período de Hugo Chavez. O que aparentemente tem oscilado nesse objetivo são os meios utilizados para isso. Tentativas de golpes políticos, como o que ocorreu contra Chaves em 2002, ou menos expressivos em 2019 e 2020. Ou tentativas institucionais via eleitoral. No entanto, nesse momento, há duas grandes diferenças em relação a outros períodos: militarização da região, forçando um desgaste psicológico e econômico, levando a um processo de concessões e transição política no país; b) um enfraquecimento político e grande isolamento do regime de Maduro, junto a maioria da classe trabalhadora e povo venezuelano, como também no contexto internacional. A principal pressão refere-se às ameaças de intervenção militar direta, semelhante ao Panamá em 1989 ou ao Haiti em 1994.
Esse objetivo de derrubada de Maduro vincula-se intrinsecamente ao controle sobre os recursos naturais do país. É a principal estratégia levada à frente nesse momento. Não é simples pressão para obtenção de mais concessões do regime venezuelano. Um governo venezuelano pró-trumpista seria supostamente a condição para a estabilidade política, com a garantia militar estadunidense na região.
Embora afirmasse que iria ao Congresso para pedir autorização, até agora não foi, e impede qualquer projeto contra autorização para ataques a nações estrangeiras. Foi o que ocorreu nas últimas semanas. No lugar disso, tenta articular bases “legais” que lhe deem respaldo. É a tentativa atual de formular junto ao Departamento de Justiça uma justificativa para uma possível invasão.
Nas últimas semanas de outubro funcionários trumpistas estavam considerando as diversas opções, incluindo ataques diretos às unidades militares e tomada de campos de petróleo no país [12]. Uma das preocupações de Trump seria aprovar operações militares com risco de se transformarem em fracasso, inclusive que colocassem as tropas americanas em risco. Entre as três principais opções estariam: a) ataques aéreos contra instalações militares, com o objetivo de minar o apoio militar de Maduro; b) envio de forças de Operações Especiais – Força Delta do Exército ou SEAL Team da Marinha – para capturar ou assassinar Maduro, como líder do “narcoterrorismo”; c) enviar forças antiterroristas para assumir o controle de aeroportos e de alguns campos de petróleo e infraestrutura venezuelana.
Além dessas “opções”, como já relatei, Trump assinou “parecer” confidencial autorizando operações secretas da CIA[13], que permite conduzir operações secretas em países estrangeiros, desde operações clandestinas de informação até o treinamento de forças guerrilheiras de oposição e a realização de ataques letais, em outras palavras, ações para desestabilizar o regime de Maduro. Trump reconheceu tal autorização[14].
Os argumentos sobre a derrubada imediata de Maduro vão sendo desenvolvidos pelos ideólogos estadunidenses. Uma das ideias apresentadas é que Trump não poderia mais recuar em seus objetivos. Ele deveria encerrar a ambiguidade e qualquer possibilidade de acordo.
Elliott Abramns, em artigo recente na Foreign Affairs[15], fala de sua preocupação com a ambiguidade do presidente, uma vez que os EUA favorecem a queda de Maduro, mas sua posição não é clara nem respaldada por ações militares, inclusive dentro da Venezuela, que “produzissem o resultado desejado”. O perigo residiria em que, depois de muita “bravata”, eles o deixem no poder. Nesse caso, Maduro emergiria como quem derrotou Trump. Por outro lado, a queda de Maduro, “promoveria os interesses de Washington” e “protegeria a segurança nacional dos EUA e beneficiaria os venezuelanos e seus vizinhos”. Isso resultaria na “redução da imigração para os Estados Unidos, menos tráfico de drogas, mais liberdade e prosperidade na Venezuela e o fim da cooperação do país com a China, Cuba, Irã e Rússia, que oferece a países hostis aos interesses dos EUA uma base de operações no continente sul-americano”. Embora houvesse riscos na ação militar, a mudança de regime exigiria “no máximo” “incursões das Forças Especiais contra figuras do regime que já foram indiciadas por narcoterrorismo”.
Ainda que as pressões militares avancem, a ausência de legitimidade interna e o risco de desestabilização regional impõem limites concretos à estratégia intervencionista trumpista.
A atual oposição de direita na Venezuela
Maria Corina Machado tornou-se a principal referência oposicionista a Maduro e ao regime político venezuelano. Também é uma figura de trânsito direto com Marco Rúbio e setores trumpistas. De tradição antichavista, ainda com pouco destaque participou da tentativa golpista de 2002 e, posteriormente, de outras tentativas. Ganhou destaque principalmente depois do esfacelamento da direta política em torno de Juan Guaidó, a quem Machado criticava.
Corina Machado sintetiza o que há de pior na oposição venezuelana: entreguista, pró-imperialista e trumpista de “carteirinha”. Por um lado, ela se dedicou a reestruturar seu foco para gerar influência fora de sua base eleitoral original, que estava muito centrada na classe média e empresariado. Adotou roupas simples e apelou para o catolicismo, aproximando-se de camadas mais pobres com discurso anticorrupção e contra a miséria social. Por outro lado, a violência e opressão crescentes do chavismo aumentaram a recepção por uma opositora de discurso firme, uma vez que as lideranças oposicionistas de esquerda (políticas e sociais) eram presas e reprimidas. Nesse vácuo político, tornou-se um personagem popular, vista como pessoa aguerrida e combativa. Não é de esquecer também que, como mulher, ganhou grande destaque, em um país extremamente machista e com altos níveis de feminicídio.
A oposição venezuelana ligada a Corina Machado é a que mais tenta denunciar as supostas ligações entre Maduro e seu regime político com o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles. Nas últimas semanas de novembro, aliás no período que foi retomada as conversas com Maduro, jornais estadunidenses começaram a ressaltar as suas críticas exageradas “para justificar o uso da força pelos EUA para depô-lo” [Maduro]: “ex-diplomatas e até mesmo alguns críticos proeminentes de Maduro temem que seus oponentes políticos na Venezuela estejam promovendo alegações exageradas e falsidades para justificar uma intervenção dos EUA”[16].
Machado apoia integralmente a ação militar para a remoção do governo, inclusive as execuções sumárias de tripulações venezuelanas. Prefere ressaltar: “Hoje, a Venezuela está mais próxima de uma transição política do que em qualquer outro momento nos últimos 25 anos. (…) Agora, finalmente, a comunidade internacional reconheceu a natureza criminosa deste regime e está agindo de acordo. (…) Pela primeira vez, essa pressão está fragilizando o sistema por dentro: seus operadores não confiam mais uns nos outros; as facções se culpam mutuamente pelas perdas; e o medo dentro do regime é palpável. A ameaça que antes projetavam para o exterior agora os consome”[17]. Ela ressalta que existiria uma crise interna e fragmentação do regime político.
Tenta evidenciar para o trumpismo que ela e a oposição têm respaldo popular que lhe permitiria governar o país, com a substituição do regime político. Projeta que a “transição democrática” na Venezuela poderá render cerca de US$ 2 trilhões ao país no próximo ano: “Com as maiores reservas de petróleo do mundo, vastos campos de gás, minerais essenciais, enorme potencial agrícola e uma diáspora global pronta para retornar, a Venezuela detém uma das oportunidades de recuperação mais significativas deste século. Nossa equipe estima que uma transição democrática poderia desbloquear uma oportunidade de negócios de US$ 1,7 trilhão ao longo de 15 anos”.
Em seu Manifesto da Liberdade[18], considera que a Venezuela se encontra no “limiar de uma nova era” e caracteriza que o regime chavista “está chegando ao fim”. No Manifesto defende o livre mercado, redução do Estado, retomada econômica do setor energético e condições para retorno dos milhões de venezuelanos.
A proposta, defendida nas eleições de 2024 e anteriormente, significa a privatização do setor energético e outros recursos nacionais, abrindo-os para as corporações estadunidenses, e a perda do controle nacional sobre tais recursos. Em Miami, no evento, ela foi explícita: “Vamos expulsar o governo do setor prolífero, vamos privatizar toda a nossa indústria”[19]. Lembra também que a Venezuela tem enormes recursos – petróleo, gás, minerais, terras e tecnologias – e acrescentou que os venezuelanos estão em localização estratégica, a poucas horas dos Estados Unidos, e têm “potencial infinito”[20]. A promoção de privatizações estratégicas num país cuja soberania energética sempre foi vista como pilar coloca em risco o controle nacional sobre recursos.
Um analista internacional, que vive há mais de vinte anos na Venezuela, no entanto, considera que a oposição em torno de Machado tem reduzida condição de assumir um governo pós-Maduro[21]. Sua atual baixa popularidade, depois dos confrontos pós-eleitorais de 2024, não lhe daria respaldo suficiente diante do que o analista considera um cenário de caos político que se abriria. Mesmo que conseguisse renovar sua popularidade, a única força orgânica que lhe sustentaria no governo seria as forças militares. No entanto, essas forças estariam muito fragmentadas em um cenário desses, inclusive abrindo confrontos com um governo pró-imperialista. No entanto, a oposição de Machado não considera um possível caos social em eventual pós-Maduro e acusariam os críticos da intervenção militar estadunidense como defensores de Maduro.
A miséria social continua aumentando no país
A população venezuelana vive há mais de uma década desabastecimento, hiperinflação, colapso econômico que se aprofundaram com as sanções econômicas e a COVID de 2020. Longe de uma política econômica de cunho popular e socialista, o que o regime político mantém são as concessões dos recursos estratégicos para grupos econômicos locais e imperialistas. O medo da população não é sobre uma invasão militar, mas também é o medo de se posicionar contra as políticas do Governo Maduro. A desinformação percorre o país, com grande censura aos veículos de imprensa (burgueses e de esquerda). As informações oficiais falam em crescimento do PIB e de forte organização da resistência anti-imperialista. Mas, de fato, pouco é informado.
Por meio dos dados do Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais é possível observar que os protestos sociais, pelo menos desde 2015, referem-se principalmente aos direitos econômicos de trabalhadores e aposentados[22]. E multiplicaram-se ao longo dos anos. O governo concede contratos e liberdades econômicas que enriquecem as burguesias locais e internacionais, mesmo que a economia do país esteja em queda contínua. Trabalhadores, funcionários públicos e aposentados continuam com seus salários e benefícios estagnados. Seus salários e pensões esvaem-se no mercado, diante de suas necessidades básicas.
O Governo Maduro não divulga informações sobre a inflação desde outubro de 2024. Estimativas não oficiais referem-se a variação entre 100% e 200% ao ano, enquanto o FMI projeta em 548% em 2025 e 629% em 2026. Cerca de 70% da renda familiar seria comprometida com alimentação e transporte, e outra parte usada para serviços básicos, educação, saúde e internet.
Essas condições levaram cerca de oito milhões de venezuelanos a saírem do país.
O dólar continua sua tendência de alta na Venezuela, exercendo enorme pressão sobre a economia nacional. Dados oficiais do Banco Central da Venezuela (BCV) apresentam que o bolívar desvalorizou 8,8% somente em novembro. Em janeiro 52,02 bolívares valiam um dólar. Hoje, diante da desvalorização no ano, a taxa de câmbio chegou a 245,66 bolívares por dólar no mercado oficial[23]. Essa completa dependência cotidiana ao dólar pressiona o processo inflacionário às alturas, tornando-se o principal indicador de preços e referência comercial no país.
Mais de 80% da população vive na pobreza e o que possamos chamar de classe média está desaparecendo. O salário mínimo e a pensão estão congelados em 130 bolívares por mês desde março de 2022, equivalem atualmente a 52 centavos de dólar por mês, agravando a crise social. Alimentar uma família na Venezuela representa cerca de cinco vezes esse valor, visto que “uma cesta básica pode custar cerca de US$ 600, só falando de comida”. Essa disparidade econômica obriga vários membros de uma família a combinarem suas rendas para suprir as necessidades básicas. Considerando que 70% do orçamento é destinado à alimentação e cerca de 15% a medicamentos ou saúde[24].
Diante desse colapso salarial e de inflação descontrolada, muitos venezuelanos aceitam empregos instáveis e mal remunerados, conhecidos como empregos precários ou temporários, para sobreviverem no dia a dia, embora esses rendimentos sejam insuficientes para cobrir as suas necessidades. Como ponto de referência, os seguintes números são marcantes: o salário médio de um “chefe” de família é de 180 dólares; a renda familiar média é de 340 dólares. No entanto, a população acredita que, para cobrir o custo da cesta básica de alimentos, seria necessária uma renda de 700 dólares mensais[25].
Esse cenário de colapso social, longe de impulsionar uma resistência popular orgânica, em razão da enorme controle social estatal, é funcional tanto para o regime político de Maduro como para a oposição venezuelana trumpista para aprofundar os projetos antipopulares. No entanto, tal cenário guarda em si também uma revolta contida, sem delinear claramente quais podem ser seus contornos nos próximos períodos.
O regime de Maduro resiste e… tenta negociar com o imperialismo
O regime de Maduro é rejeitado pela maioria do povo venezuelano, inclusive eleitoralmente, como ocorreu nos resultados presidenciais possivelmente fraudados em julho de 2024. A “estrondosa” vitória governista nas municipais de julho deste ano apenas serviu para tentar mascarar a perda de base social do regime. Na atualidade o regime venezuelano se mantém baseado em uma forte e, aparentemente, coesa base militar nas Forças Armadas Bolivarianas, formada por generais e principais comandantes militares. Ainda envolve um setor popular não mais do que 30% da população, se considerarmos os resultados parciais que foram publicizados na votação das presidenciais de 2024. Por diversos mecanismos estatais, é uma base que se mantém cooptada ao regime político. O caráter repressivo e de controle social é uma dimensão fundamental, desativando não somente a oposição burguesa, mas principalmente tentando desmobilizar as oposições operárias-populares e suas organizações.
A maioria do povo venezuelano percebe/sente no seu cotidiano não somente a miséria social e repressão, mas o grau de corrupção que perpassa pelos inúmeros poros do Estado. Perseguem os diversos setores sindicais e de esquerda opositores dos descalabros econômicos e políticos no país. Restringem as liberdades políticas e as formas de organização política e sindical básicas.
No entanto, é difícil prever o que significariam ataques militares estadunidenses (aéreos ou por terra), se é que eles venham a ocorrer. O sentimento anti-imperialista pode reviver a ideologia de resistência nacional, especialmente contra uma potência imperialista que historicamente sempre expôs suas patas opressoras e exploradoras sobre os povos latino-americanos. Por outro lado, o regime venezuelano ainda tem poder de mobilização, seja em setores da população cooptada pelo regime, ou mesmo mobilizado de uma maneira coercitiva, não esquecendo ainda o seu aparato militar que não é desprezível.
Dentro desse contexto de ameaças, Maduro procura mobilizar o discurso patriótico. No dia 27 de novembro, afirmou que a maioria dos venezuelanos está preparada para defender o país em meio às tensões com os Estados Unidos através do uso de arma[26]. Durante a celebração de aniversário da aviação militar da Venezuela, ele estimou: “Mais de 94% dos venezuelanos apoiam os esforços que estão sendo feitos e 82% dos venezuelanos dizem estar dispostos a defender sua pátria sagrada com armas em punho.” Destaca também que as Forças Armadas Nacionais encontram-se de prontidão diante das ameaças: “17 semanas de guerra psicológica, pressões imorais que, longe de assustar nosso povo, despertaram uma força de resistência, de consciência nacional. Demonstrando uma imensa capacidade de coordenação, comando, controle, comunicação e unidade popular, militar e policial, que expressa o desejo da Venezuela de defender nosso direito à paz e à estabilidade.”. Por fim, Nicolás Maduro concluiu seu discurso reafirmando que na Venezuela não há ameaça, agressão ou surpresa que assuste os venezuelanos, e finalizou expressando sua confiança em sair vitorioso de qualquer conflito.
As informações estatísticas divulgadas por Maduro possivelmente não sintonizem com a realidade. Certamente não existem 94% de venezuelanos que “apoiam os esforços que estão sendo feitos” (pelo governo) contra as agressões e ameaças de invasão estadunidense. O regime político venezuelano não tem essa base social. Também é pura retórica que 82% da população defenderia o país “com armas em punho”. Mas podemos considerar que existe uma parte significativa que, mesmo não apoiando o governo, resistiria a uma invasão, pois as agressões e ameaças despertam a “consciência nacional”.
Mas o principal a considerar são “as Forças Armadas Nacionais encontram-se de prontidão”, demonstrando “uma imensa capacidade de coordenação, comando, controle, comunicação, unidade popular, militar e policial”.
Não seria um “passeio no parque”, certamente, uma intervenção militar estadunidense por terra, especialmente em Caracas, nas áreas centrais da cidade e especialmente nas inúmeras vilas e suas ruelas nos morros que contornam a cidade. O que levaria inicialmente a duas possibilidades logísticas mais plausíveis, em ataques iniciais: a) intervenções contínuas de mísseis e drones, com alvos pré-estabelecidos: Maduro e setores da cúpula militar e civil; b) divisão na cúpula militar e assassinato/sequestro de Maduro, com apoio na contraespionagem estadunidense. Essas possibilidades não se excluem. A estabilização política de um novo governo de caráter pró-trumpista, tipo Maria Corina Machado, caso não tenha o apoio de setores significativos das forças armadas, exigiria a presença militar estadunidense em terra. E aí o “caldo pode entornar”. Como se desdobram as resistências populares em tal cenário é muito difícil de previsão, uma vez que revoltas e processos revolucionários de caráter anti-imperialista e antirregime bonapartista e pró-imperialista podem apontar para soluções radicais.
Análises sobre possíveis desdobramentos políticos de invasão militar estadunidenses na Venezuela e/ou deposição de Maduro começaram a circular recentemente. A sua remoção por meio de intervenção militar estadunidense, golpe militar ou levante popular, poderia abrir um “caos por um período prolongado, sem possibilidade de término”. Essa perspectiva vem sendo desenvolvida por alguns analistas e ideólogos de think thanks imperialistas[27]. Inclusive são detalhadas as possibilidades de “transição política pactuada”. São diversos ângulos que, até recentemente, pareciam ignorados por Marco Rubio e outros favoráveis a saída imediata de Maduro e a passagem do poder para a oposição venezuelana. Essa análise faremos em outro artigo.
Concluindo
Esse novo contexto latino-americano não se limita a duas nações em litígio, como tende a se tornar a principal imagem midiática internacional. Não existe termo de igualdade nessa história. É agressão imperialista. A nova investida estadunidense indica uma retomada de agressões e busca de alinhamentos políticos na região, por meio de pressões econômicas e políticas, além de ameaças militares.
Os EUA retomam abertamente a sua velha concepção da Doutrina Monroe e de seus diversos corolários sobre a América Latina. Na disputa geopolítica especialmente contra a China recoloca a sua velha concepção de tratar a região como seu quintal. A intervenção militar e/ou política estadunidense na Venezuela é uma afronta à soberania e à autodeterminação do povo venezuelano. Deve ser combatida não somente pelos trabalhadores do país, mas também das Américas e do mundo. Por sua vez, os governos latino-americanos devem ter clareza que essa situação não diz respeito somente à Venezuela, mas sim à soberania nacional de todos os países latino-americanos.
Cabe considerar, na lógica intrínseca que seguiu esse artigo, que nem a oposição direitista nem o regime político de Maduro trazem uma alternativa para a classe trabalhadora e o povo venezuelano no real combate ao imperialismo e à atual miséria social e repressão política. Maduro tenta negociar sua manutenção, entregando os “anéis”, ou seja, aprofundando as transferências das riquezas nacionais. É uma cristalização bonapartista, tendência consolidada no transcorrer do governo de Hugo Chavez e que continuou a se aprofundar com Maduro e sua cúpula[28]. Por sua vez, Corina Machado e a oposição pró-trumpista, como verificamos, propõem publicamente aprofundar ainda mais a dilapidação dos bens nacionais.
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Notas bibliográficas
[1] Estado de São Paulo, Trump diz para companhias aéreas e pilotos considerarem o espaço aéreo da Venezuela fechado, 29 de novembro de 2025.
[2] Maggie Habberman e Anatoly Kurmanaev, Trump conversou por telefone com Maduro na semana passada, The New York Times, 28 de novembro de 2025. In: Estado de São Paulo.
[3] Idrees Ali, Jeff Mason, Pete Schroeder e Steve Hollandhttps, Trump confirma conversa com Maduro, da Venezuela, Reuters, 01 de dezembro de 2025.
[4] Casa Branca. Ações Presidenciais. Designar cartéis e outras organizações como organizações terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados.[Designating Cartels And Other Organizations As Foreign Terrorist Organizations And Specially Designated Global Terrorists], 20 de janeiro de 2025.
[5] Anatoly Kurmanaev, Julian E. Barnese, Julie Turkewitz, Maduro, da Venezuela, ofereceu aos EUA as riquezas de sua nação para evitar conflitos, The New York Times, 10 de outubro de 2025.
[6] Julian E. Barnes (The New York Times), Edward Wong (The New York Times), Julie Turkewitz (The New York Times) e Charlie Savage (The New York Times), Rubio impulsiona campanha do governo Trump para derrubar Maduro na Venezuela, The New York Times, 02 de outubro de 2025. In: Estado de São Paulo.
[7] Julian E. Barnes, John Ratcliffe apresenta uma visão para uma CIA mais agressiva, 15 de janeiro de 2025.
[8] Julian E. Barnese e Tyler Pager, Governo Trump autoriza ação secreta da CIA na Venezuela, The New York Times, 16 de outubro de 2025.
[9] Alexander B. Downes e Lindsey A. O’rourke, A tentação da mudança do regime na Venezuela. Se o passado serve de prólogo, uma tentativa dos EUA de derrubar Maduro não terminaria bem. [The Regime Change Temptation in Venezuela .If Past Is Prologue, a U.S. Attempt to Overthrow Maduro Would Not End Well], Foreign Affairs, 31 de outubro de 2025.
[10] Marc Caputo, Exclusivo: Trump pronto para conversar com Maduro sobre ataques contra o narcotráfico na Venezuela [Scoop: Trump ready to talk with Maduro over Venezuela drug strikes], Axios, 24 de novembro de 2025.
[11] Eric Schitt, Charlie Savagee e Chris Cameron, EUA atacam segundo barco no Pacífico enquanto operação antidrogas se expande, The New York Times, 23/10/2025.
[12]David E. Sanger, Tyler Pager, Helene Cooper, Eric Schmitt e Devlin Barrett, Trump avalia opções e riscos para ataques à Venezuela, [Trump Weighs Options, and Risks, for Attacks on Venezuela], New York Times, 04 de novembro de 2025.
[13] Warren P. Strobel, João Hudsone, Karen De Young, Trump afirma ter autorizado uma ação secreta da CIA na Venezuela [Trump says he has authorized covert CIA action in Venezuela], The Washington Post, 16 de outubro de 2025.
[14] Julian E. Barnes e Tyler Pager, Governo Trump autoriza ação secreta da CIA na Venezuela [Trump Administration Authorizes Covert C.I.A. Action in Venezuela], The New York Times, 15 de outubro de 2025.
[15] Elliott Abrams, Como derrubar Maduro. E por que a mudança de regime é o único caminho a seguir na Venezuela [How to Topple Maduro And Why Regime Change Is the Only Way Forward in Venezuela], Foreight Affairs, 20 de novembro de 2025. https://www.foreignaffairs.com/united-states/how-topple-maduro
[16] Simon Romero, Críticos dizem que ganhador do Prêmio Nobel da Venezuela divulga informações falsas sobre Maduro [ Venezuela’s Nobel Winner Pushes False Claims About Maduro, Critics Say], The New York Times, 26 de novembro de 2025.
[17] Artigo de Maria Corina Machado, em The Economist, reproduzido em G1, Líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado diz que transição de poder já começou: ‘Medo dentro do regime é palpável’, 19 de novembro de 2025.
[18] Manifiesto del Liberdad, 09 de novembro de 2025.
[19] Evento American Business Forum, Miami (EUA), 5 e 6 de novembro de 2025.
[20] Donald Trump Jr. Entrevista Corina Machado, DNews, 26 de fevereiro de 2025.
[21] Phil Ginson, O perigo de destituir Maduro, Foreign Affairs, 21 de novembro de 2025.
[22] Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais.
[23] Em novembro: O bolívar perdeu 8,8% do seu valor em relação ao dólar, El Impulso, 28 de novembro de 2025.
[24] Lusiana Mejia, Economizar dinheiro na Venezuela: principais estratégias para quem tem renda limitada, segundo um especialista, El impulso, 26 de novembro de 2025.
[25] A economia domina as preocupações dos venezuelanos, segundo Consultores 21, El Impulso, 13 de novembro de 2025.
[26] Nicolás Maduro afirma que os venezuelanos estão dispostos a defender o país, El Impulso, 28 de novembro de 2025.
[27] Vide por exemplo: Phil Guns, O perigo de destituir Maduro. Somente uma transição gradual — e não uma mudança de regime pela força — pode restaurar a democracia na Venezuela [The Peril of Ousting Maduro], Foreign Affairs, 21 de novembro de 2025. Francisco Rodriguez, Um Grande Acordo com a Venezuela. A força americana não vai depor Maduro, mas a diplomacia americana pode conseguir [A Grand Bargain With Venezuela], Foreign Affairs, 17 de novembro de 2025.
[28] Sobre a cristalização bonapartista no país vide: Venezuela despues de Chavez. Um balance necessário, organizado por Alejandro Iturbe, com artigos de diversos autores. Embora o título, especialmente é analisado o período entre 2004 e 2007. São Paulo: Ed. Lorca, 2013.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17793923
ID Zenodo: 17793923
Registro no Zenodo: https://zenodo.org/records/17793923
Publicado originalmente em: https://marxismodebateecritica.org/trump-imperialismo-e-venezuela-entre-a-intervencao-militar-direta-e-o-pacto-de-transicao-politica/
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