Linguagem, signo e classes sociais

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“Todo instrumento de produção pode, da mesma forma, revestir-se de um sentido ideológico: os instrumentos utilizados pelo homem pré-histórico eram revestidos de representações simbólicas e de ornamentos, isto é, de signos. Nem por isso o instrumento, assim tratado, torna-se ele próprio um signo”[3].

“A consciência adquire forma e existência nos signos criados por um grupo organizado no curso de suas relações sociais. Os signos são o alimento da consciência individual, uma matéria de seu desenvolvimento, e ela reflete sua lógica e suas leis. A lógica da consciência é a lógica da comunicação ideológica, da interação semiótica de um grupo social. Se privarmos a consciência de seu conteúdo semiótico e ideológico, não sobra nada. A imagem, a palavra, o gesto significativo… fora desse material, há apenas o simples ato fisiológico, não esclarecido pela consciência, desprovido do sentido que os sinais lhe conferem”[4]

“O signo se torna uma arena onde se desenvolve uma luta de classes. Esta plurivalência social do signo ideológico é um traço de maior importância. Na verdade, é este cruzamento de índices de valor que torna o sinal vivo e móvel, capaz de evoluir. O signo, se subtraído às tensões da luta social, se posto à margem da luta de classes, irá infalivelmente debilitar-se, degenerar em alegoria, tornar-se-á objeto de estudos dos filólogos e não será mais um instrumento racional e vivo para uma sociedade. A memória da história da humanidade está repleta de signos ideológicos defuntos, incapazes de constituir uma arena para o confronto dos valores sociais vivos.”[5]

Valfredo Camacho Escuela de Fotografia Creativa de la Habana

“É todo um conjunto de práticas e expectativas, sobre a totalidade da vida: nossos sentidos e distribuição de energia, nossa percepção de nós mesmos e de nosso mundo. É um sistema vivido de significados e valores – constitutivo e constituidor – que, ao serem experimentados como práticas, parecem confirmar ”[7]