Cronicamente inviável

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Os limites do niilismo de Bianchi

Esse pensamento, no entanto, tem seus limites. O pessimismo do diretor é patente e extremamente cúmplice com o que ele apresenta e denuncia. Os “debaixo” são percebidos como calados em meio à realidade que lhes oprime. É o caso das cenas dos garçons. É como se existissem calados, submissos, totalmente entregues à relação de exploração econômica e sexual por parte do burguês Luís, proprietário do restaurante e homossexual que se aproveita de sua condição de patrão.

No mesmo sentido, Josilene, empregada do casal Maria Alice/Carlos. Josilene desde a infância tem seu destino ligado à família de Alice. Seu pai operário e sua mãe empregada doméstica trabalhavam para a família de sua patroa. Posteriormente, seu irmão trabalha no restaurante de Luís, amigo da família de Alice. A relação de submissão reproduz uma condição clientelística, na qual a exploração coexiste com a manutenção de um sistema de cumplicidade envolvendo o emprego. As contradições são escamoteadas pela conveniência da manutenção do sistema de emprego. Mecanismos de controle social apresentado como quase perfeito, embora a perversão das relações se estabeleça em grau acentuado.

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Outra cena marcante constrói-se em torno da uma ocupação de terra realizada pelo MST, no Rio Grande do Sul. Os trabalhadores ali são concebidos por Bianchi como destituídos de vontade, de iniciativas, de histórias pessoais, e inteiramente submissos à voz de comando de suas lideranças, estigmatizadas como confusas pelo diretor.

Portanto, ao tempo que o diretor apresenta as contradições gigantescas nessas relações sociais, também se rende à idéia de um sistema fechado em si, baseado centralmente na cumplicidade entre os “de cima” e os “debaixo”.

A construção da narrativa

Não existe saída?

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