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Ao iniciar as entrevistas com os empresários parti da convicção, corrente à época, da possibilidade de levar adiante o desenvolvimento econômico, promover as ‘reformas de base’ e alcançar formas de participação política mais amplas e de distribuição mais equitativa por intermédio da política nacional-popular. A reconstituição histórico-estrutural da formação da sociedade industrial e a análise do comportamento e das atitudes dos empresários mostraram-me, no decorrer da investigação, os equívocos da ideologia predominante à esquerda e a inconsistência prática das políticas propostas. Este livro foi um esforço para ressaltar, quando ainda existiam opções nacional-populares vigorosas, as dificuldades e mesmo impossibilidades de conseguir a transformação da sociedade brasileira, com as aspirações indicadas acima, com base na referida aliança entre empresários nacionais, Estado e massas populares (…) as conclusões são claras: a burguesia industrial nacional estava impedida, por motivos estruturais, de desempenhar o papel que a ideologia nacional-populista lhe atribuía.[2]

a construção de modelos abstratos de desenvolvimento é tão insuficiente para a explicação das mudanças estruturais que possibilitam o desenvolvimento, quanto é a transformação pura e simples do capitalismo nas nações onde ele se originou. A alternativa consiste em relacionar concretamente os países subdesenvolvidos com as nações industriais e verificar como o “desenvolvimento econômico” é resultado de um movimento social que afeta a estrutura de dominação internacional.[4]


[1] CARDOSO, Fernando Henrique. 2ed. Empresário industrial e desenvolvimento econômico. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1972

[2] CARDOSO, Fernando Henrique. 2ed. Empresário industrial e desenvolvimento econômico. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1972. p.14-5.

[3] Idem., p.15

[4] Idem. p.194

[5] “Movimentos sociais” eram entendidos por Cardoso como a movimentação política dos grupos e classes sociais, em suas pressões sobre o Estado, a partir de seus interesses e reivindicações políticas.

[6] CARDOSO. Op.cit. p.175

[7] CARDOSO. Op.cit. p. 197-8

[8] Nesse período, existia uma hegemonia do pensamento nacional-desenvolvimentista e nacional-popular.

[9] CARDOSO, Fernando Henrique. Proletariado e mudança social.  Sociologia, v.XXII, nº1, p.5-6, 1960.

[10] Idem.  2ed. Empresário industrial e desenvolvimento econômico. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1972. p.170.

[11] IANNI, Octávio. Condições institucionais do comportamento político operário. Revista Brasiliense, nº36, jul/ago 1961, p.24.

[12] LOPES JR, Brandão. O ajustamento do trabalhador à indústria: mobilidade social e motivação. In: HUTCHINSON, B. (org.). Mobilidade e trabalho: um estudo na cidade de São Paulo. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisa Educacional, 1960.

[13] CARDOSO, Fernando Henrique. Condições sociais da industrialização: o caso de São Paulo. Brasiliense, nº 28, mar/abr 1960.

[14] IANNI. Op.cit. p.30

[15] CARDOSO, Fernando Henrique. Proletariado e mudança social. Sociologia, v.XXII, nº1, 1960. p.24.

[16] IANNI, Octávio. Estado e capitalismo: estrutura social e industrialização no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965. p.47


[1] Até o surgimento do Centro de Estudos da Sociologia da Indústria e do Trabalho (CESIT), os projetos de investigação concentravam-se na Cadeira de Sociologia I, enfatizando principalmente as condições histórico-sociais de desintegração da ordem escravocrata-senhorial e da formação da sociedade de classes no Brasil. 

[2] Não poderemos entrar na discussão específica sobre as formulações acadêmicas norteadas pelo marxismo, como ocorreu inovadoramente na época pelo chamado Grupo d´O Capital, como ficou conhecido. Para a discussão sobre esse marxismo acadêmico, ver SILVA, Luiz Fernando, Pensamento social brasileiro: o marxismo acadêmico entre 1960 e 1980 (São Paulo: Corações e Mentes, 2003).

[3] FERNANDES, Florestan. Economia e sociedade no Brasil: análise sociológica do subdesenvolvimento. In: Idem. A sociologia numa Era de revolução social. São Paulo: Zahar Editores, 1976.

[4] Idem. p.318.



[2] CARDOSO, Fernando Henrique. A construção da democracia. São Paulo: Siciliano, 1993. p.9

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