Nayib Bukele, “o ditador mais descolado do mundo”, e o trumpismo latino-americano: bonapartismo e criminalização social

Foto: Cartaz em manifestação social contra Bukele, no final de 2021, antes do estado de exceção. Introdução Nayib Bukele representa um processo típico de bonapartização latino-americana, no período histórico no qual não existem contradições estruturais decisivas entre as burguesias locais (seus partidos e governos) e o projeto imperialista estadunidense, em período de crise prolongada e […]
A Venezuela sob tutela. Trump, petróleo e o regime político chavista

Foto. Da direita para a esquerda, general Vladimir Padrino López, Diosdado Cabello e os irmãos Delcy e Jorge Rodríguez, após posse da presidenta interina na Assembleia Nacional, em 05 de janeiro. A rapidez com que se consumaram a invasão e o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, em 03 de janeiro, surpreendeu muitos analistas […]
Sanções, assassinatos e bloqueio marítimo contra o povo venezuelano: imperialismo estadunidense intensifica a ofensiva

Foto. Povo venezuelano na dramática expectativa do que ocorrerá com o seu país. Introdução Continuam os ataques à soberania e autodeterminação do povo venezuelano. O imperialismo estadunidense avança suas sanções agressões econômico-políticas. Na realidade, deu um salto qualitativo em suas agressões. Por um lado, mantém seus atos criminosos contra pequenas embarcações de pescadores: são mais […]
Trump, imperialismo e Venezuela. Entre a intervenção militar direta e o pacto de transição política

A arrogância imperialista de Trump não cessa. No final de novembro disse: “todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor considerem o fechamento completo do espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela. Obrigado pela atenção a este assunto!”. Uma nítida agressão à soberania venezuelana. Na mesma semana outra […]
Trump e a geopolítica imperialista na América Latina

A crescente presença naval militar no Mar do Caribe representa a maior mobilização estadunidense na região, pelo menos desde 1989[1]. Essa nova investida imperialista sobre a América Latina tem deixado dezenas de mortes em ataques a tripulações de pequenas embarcações nas costas da Venezuela, estendendo-se também para o Pacífico, em águas colombianas. O “mote” trumpista […]
Imperialismo e dependência estrutural latino-americana. Aspectos conceituais históricos e contemporâneos

Este artigo foi publicado na Revista Caracol (nº 20, ano 2020 ), como resultado das exposições dos palestrantes de evento internacional na USP – 4º CLAGlo: Concepções Teóricas, Iniciativas Glopolíticas, Análise Político-Ideológica- o qual fui convidado como palestrante. A publicação desse texto, no portal Marxismo. Debate e Crítica , deve-se à atualidade do tema. Infelizmente, o assunto não perdeu a atualidade, uma vez que os problemas estruturais nas sociedades latino-americanas não somente continuam, como se aprofundaram: imperialismo, dependência, miséria social, governos e burguesias submissas e esquerdas políticas completamente adaptadas à institucionalidade burguesa. Vários tópicos abordados no texto são ainda hoje motivo de aprofundamento em pesquisas que continuo desenvolvendo e serão publicizados neste portal, como também em outros espaços editoriais. Impressiona como o tema continua invisibilizado nas mídias hegemônicas, nos meios acadêmicos e políticos. Com pouquíssimas adaptações editoriais, publico aqui o texto tal como foi recebido e aceito pelo editor da Revista Caracol.
O que foram os governos sul-americanos de frente popular (chamados “progressistas”) entre 1998 e 2016?

A partir do final da década de 1990, uma nova tendência política de governos nacionais começou a surgir em vários países sul-americanos. Essa tendência se reproduziu institucionalmente por mais de quinze anos. Foram governos que resultaram eleitoralmente de forças políticas respaldadas em movimentos sociais e partidos de esquerda. Entre essas forças políticas, muitas vinham dos períodos ditatoriais e, ao longo da década de 1980 e 1990, lutaram contra o modelo neoliberal que se implantava na região.
Crise do regime político brasileiro no pré-1964, golpe empresarial militar e consolidação do regime ditatorial

O regime político ditatorial brasileiro implantado com o golpe empresarial-militar de 1964 conduziu o país em 21 anos de descalabros políticos e econômicos. Desse período ainda hoje restam consequências sociais, educacionais e culturais que não foram superadas; pelo contrário, reproduzem-se nas relações cotidianas, ao exemplo da estrutura militarizada das polícias estaduais. Também cabe apontar que, embora o regime ditatorial se encontrasse enfraquecido na entrada da década de 1980, ainda assim condicionou a agenda da transição política no país, atuando como agente fundamental na defesa dos interesses empresariais monopolistas nacionais e internacionais, dos interesses capitalistas no meio rural, e protetor dos integrantes do sistema de informação e repressão.
Florestan Fernandes: universidade pública, marxismo e revolução

Florestan Fernandes faz parte e expressa um período do pensamento social brasileiro, em especial o acadêmico sociológico, no qual a universidade pública como espaço social concentrou energias no sentido de (a) compreender a especificidade da sociedade brasileira, de sua formação colonial, escravista e integrada de maneira subalterna ao modo de produção capitalista, (b) com […]
O contexto imediato do junho de 2013 no Brasil

Os protestos iniciados em junho de 2013 floresceram como um “raio em céu azul”, em várias capitais do país. Mobilizações juvenis que se contrapunham aos reajustes de 0,20 centavos no preço das passagens de transportes públicos (ônibus, metrôs e trens) enfrentaram a intransigência das administrações federal, estaduais e municipais, ao lado da repressão policial e ação corrosiva da imprensa corporativa (empresarial, burguesa) Na direção inicial das mobilizações estava o Movimento Passe Livre (MPL), que existia desde 2005, e agregava distintos organizações de esquerda (PSTU, setores do Psol, PCB e outras organizações), além de agrupamentos autonomistas e grupos anarquistas.