Crise do regime político brasileiro no pré-1964, golpe empresarial militar e consolidação do regime ditatorial

O regime político ditatorial brasileiro implantado com o golpe empresarial-militar de 1964 conduziu o país em 21 anos de descalabros políticos e econômicos. Desse período ainda hoje restam consequências sociais, educacionais e culturais que não foram superadas; pelo contrário, reproduzem-se nas relações cotidianas, ao exemplo da estrutura militarizada das polícias estaduais. Também cabe apontar que, embora o regime ditatorial se encontrasse enfraquecido na entrada da década de 1980, ainda assim condicionou a agenda da transição política no país, atuando como agente fundamental na defesa dos interesses empresariais monopolistas nacionais e internacionais, dos interesses capitalistas no meio rural, e protetor dos integrantes do sistema de informação e repressão.
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Golpes e ditaduras civil-militares na América Latina (1954–1976)

PaísData do GolpePresidente DepostoNovo GovernoPeríodo
  Paraguai  05-04-1954    Federico Chávez Partido Colorado / autoritário    Alfredo Stroessner (militar)    1954 – 1989
  Guatemala    27-06-1954  Jacobo Árbenz Revolucionário / reformista    Carlos Castillo Armas (militar)  1954 – 1986    
  Argentina  16-09-1955  Juan D. Perón Partido Justicialista /  nacional-burguês    Eduardo Lonardi → Pedro Aramburu  1955 – 1958
         28-06-1966  Arturo Illia UCR / civil moderado    Juan Carlos Onganía (militar)  1966 – 1973
     24-03-1976  Isabel Perón Justicialista / populismo em crise    Junta Militar   Jorge Videla Eduardo Viola Alberto Lacoste Fortunato Galtieri Reynaldo Bignone (todos militares)    1976 – 1983
  Brasil      01-04-1964  João Goulart PTB / nacional-popular    Junta Militar Castelo Branco Costa e Silva Garrastazu Médici Ernesto Geisel João Figueirdo (todos generais)    1964 – 1985
  Bolívia    05-11-1964  Paz Estenssoro MNR / nacionalista revolucionário    Barrientos e Ovando (seguido por militares e politicos civis) politicos )  1964 – 1982
  Peru    03-10-1968 Belaúnde Terry
AP / civil  
 Juan Velasco Alvarado (militar)  1968 – 1975
  Equador  11-07-1972 José Velasco Ibarra (Independente / populista)  Guillermo Rodríguez Lara (militar)  1972 – 1976
  Uruguai  27-06-1973    Juan M. Bordaberry Colorado – dissolve parlamento. Apoio das FFAA.  Juan M. Bordaberry (politico civil)  1973 – 1976
   10-06-1976  Alberto Demicheli (advogado, politico) Aparício Mendez (advogado, politico) Gregório Alvarez (general)  1976  – 1986
  Chile  11-09-1973  Salvador Allende (Unidade Popular / nacional-reformista)    Augusto Pinochet (general))  1973 – 1990

Radicalização e mobilizações sociais às vésperas do golpe: abre-se uma situação pré-revolucionária

Reação operária-popular foi pífia contra os  golpista: nacionalistas e comunistas recuam

O regime político ditatorial se consolida

A resistência operário-popular se reorganiza mas não barra o “golpe dentro do golpe” em dezembro de 1968

Os beneficiários econômicos e sociais do regime ditatorial


Considerações finais: o legado do regime militar e os limites da transição política